quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Anuncia-se um 2014 rebelde no Brasil

 

Por Rafael Gomes Penelas
Sem dúvidas, 2013 entrará para a história do Brasil como o ano em que a juventude combatente e os trabalhadores se levantaram contra décadas e, pode-se dizer, séculos de injustiças, humilhações e opressões sofridas pelo povo brasileiro. Nas ruas das principais capitais, as massas deram provas de sua disposição de luta e coragem, deixando perplexas as “autoridades” do velho Estado, sua imprensa vendida e seu aparato policial militar. Junho e julho passaram e deixaram suas lições. No entanto, novas manifestações neste fim de ano dão o tom de como será 2014.
Caiu por terra toda a propaganda da grande burguesia, que até o primeiro semestre do ano se regozijava com o “sucesso” que seriam os seus megaeventos. E, para garantir tal “sucesso”, as bombas, tiros de bala de borracha, prisões e intimidações por parte da polícia foram a receita principal. O monopólio da imprensa também cumpriu seu papel. As palavras “vandalismo”, “baderneiros”, “criminosos”, “arruaceiros” e outras alcunhas mais foram repetidas à exaustão pelos papagaios âncoras e repórteres dos telejornais. Agora, as remoções de favelas, a militarização de bairros pobres e os diversos crimes cometidos pelo velho Estado contra a população em nome dos megaeventos, estes a imprensa burguesa pouco falou.
Também foi por água abaixo toda a propaganda da gerência PT-FMI que, há mais de dez anos, tenta vender a imagem de um “Brasil de todos”, o “fim da miséria”, etc. Os grandes protestos foram a prova de que, assim como seu antecessor FHC, o “governo” do oportunismo não passa de mais um gerenciamento de turno do velho Estado burguês-latifundiário.
Fim de ano de lutas
No Rio de Janeiro, onde ocorreram os principais combates entre os jovens e a repressão a nível nacional, em 20 de dezembro último, milhares de pessoas foram às ruas do Centro da cidade contra mais um aumento criminoso da tarifa do ônibus, que passaria para R$ 3,05. Depois de algum tempo de relativo refluxo nas passeatas, novamente a população voltou a se manifestar em peso, afirmando que esse é só o início. E a luta já obteve um pequeno resultado: o Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro (TCM-RJ) recomendou ao gerente municipal Eduardo Paes evitar o reajuste. Nos dias 15 e 16, a Aldeia Maracanã voltou aos noticiários devido a brava resistência contra mais uma incursão policial e, indo além, a mobilização das organizações populares culminaram na liberdade para o preso político Jair Baiano. As mobilizações prosseguem exigindo a libertação do morador de rua Rafael Braga Viera, preso injustamente numa manifestação em 20 de junho e condenado a cinco anos de prisão.
Várias frentes de luta foram criadas, como a Frente Independente Popular (FIP) no Rio de Janeiro, que serviu de exemplo para outros estados, como Pernambuco, Goiás e Pará. Resultado das jornadas de lutas de junho, estas frentes se formaram propondo avançar na mobilização dos trabalhadores, tocar a luta de forma independente, sem ilusões com o velho Estado e com a farsa eleitoral.
Em São Paulo, várias rebeliões populares explodiram neste fim de ano nas periferias contra a conhecida violência policial. Em Jaçanã, na zona Norte, em meados de outubro, a população se revoltou contra o assassinato do jovem Douglas Martins por um policial. Recentemente, 19 pessoas foram presas acusadas de participar dessas manifestações. Em 5 de dezembro, manifestantes contrários a uma reintegração de posse na região do Morumbi, na zona Sul, bloquearam a Avenida Doutor Guilherme Dumont Vilares e ergueram barricadas em chamas. E, no dia 19, foi a vez dos camelôs que trabalham na região do Brás enfrentarem a repressão.
Em Belo Horizonte, os operários realizam combativa greve por melhores salários e condições de trabalho. Marchando contra a corrente, os trabalhadores sustentaram a luta com o seu combativo Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, o ‘Marreta’. A nova edição de AND (nº 123) traz uma matéria sobre a luta operária em BH. Nas grandes obras do PAC país afora, o que se viu também foi a selvageria das construtoras e a violenta repressão contra os operários que se rebelaram contra a exploração.
Em Rio Pardo, Rondônia, um povoado se levantou contra as várias tentativas de reintegração de posse de uma área localizada na Flona Bom Futuro. Revoltados com as inúmeras humilhações sofridas pela repressão, em 13 de novembro os moradores deram a resposta! Os soldados da Força Nacional não foram capazes de conter a rebelião popular. Houve intenso confronto, uma viatura foi incendiada e os presos foram libertos. Em seguida, viu-se mais uma campanha histérica do monopólio da imprensa exigindo mais repressão contra os camponeses. Prisões e diversos casos de arbitrariedades e torturas foram registrados. AND também está acompanhando a situação em Rio Pardo.
Em outros estados a situação não é diferente. O movimento camponês, principalmente o combativo, se vê em constantes ameaças de despejo, intimidações, assassinatos de lideranças, etc. Mesmo assim, a luta camponesa prossegue de forma vigorosa com suas tomadas de terras, a construção de assembleias e escolas populares. A bandeira da Revolução Agrária está erguida em vários estados do país.
Que venha 2014!

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